Ombro doloroso

O ombro é uma das articulações mais complexas do corpo humano. É a que possui maior amplitude de movimentos, mas é uma das que possui menos estabilidade (a maior parte desta estabilidade é feita por músculos). É um complexo composto por 4 articulações que trabalham em conjunto para produzir os movimentos necessários. São as articulações entre o úmero e a escápula, entre a escápula e a clavícula, entre a clavícula e o esterno, e entre a escápula e a caixa torácica. Se levarmos em consideração que, através de músculos, estes ossos tem conexões com vértebras, costelas, cotovelo, cabeça e até com a pelve, podemos ver o quão “complicada” é esta região. Cada estrutura destas tem o seu grau de mobilidade e atuação para que o ombro possa realizar todos os seus movimentos de maneira correta.

A lesão mais freqüente no ombro é a síndrome do impacto, mais conhecida como ombro doloroso. Ocorre quando o espaço existente entre o úmero (osso do braço) e a ponta da escápula (chamada de acrômio) diminui, gerando compressão das estruturas que alí estão. As queixas mais freqüentes são dores na região anterior do ombro ao levantar o braço, ao levantar pesos, dificuldade em colocar a mão nas costas (no caso de mulheres, uma queixa freqüente é a dificuldade em fechar o sutiã) e uma dor que aumenta na hora de dormir.

ImageTendão e bursa comprimidos entre o úmero e o acrômio

 É uma lesão freqüente em praticantes de atividades que exijam movimentos com o braço elevado, como vôlei, basquete, natação e tênis. Do mesmo modo, pessoas que tenham trabalhos nos quais façam movimentos repetitivos do braço também estão suscetíveis a esta lesão. Recentemente vi uma grande incidência em percussionistas, sendo que em todos os casos, as dores se manifestavam no membro dominante, o mesmo no qual os instrumentos musicais eram pendurados durante a prática. Em indivíduos acima de 60 anos, muitas vezes estas dores surgem sem nenhuma atividade específica.

Mas o que exatamente gera esta dor?

Existem dois fatores que levam a esta dor. Com a diminuição do espaço, os tendões que deveriam poder deslizar livremente durante a contração muscular, perdem esta liberdade, gerando atrito. Isso pode levar estes tendões a processos inflamatórios e até degenerativos. A bursa subacromial (que nada mais é do que uma bolsa com líquido que amortece esse impacto) se inflama devido ao excesso de pressão, gerando a famosa bursite.

Além disso, esta compressão faz com que o aporte sanguíneo na região diminua, favorecendo assim degenerações. É comum encontrarmos sinais de artrose na articulação entre a clavícula e a escápula (que se dá através do acrômio) devido a esta falta de vascularização. Tendões também são afetados por esta falta de irrigação sanguínea, aumentando a dor.

A causa mais freqüente desta síndrome é um desequilíbrio da musculatura do complexo articular do ombro, principalmente o manguito rotador (grupo de músculos responsável pela estabilização do úmero na escápula e pelos movimentos de rotação, principalmente) e os estabilizadores da escápula (grupo de músculos que prende a escápula na caixa torácica e auxilia em seus movimentos giratórios necessários para a movimentação do ombro). Outros fatores, como rigidez em determinadas articulações específicas, alterações do cotovelo e da coluna vertebral também podem influenciar. Pequenos acidentes, como tombos sobre o ombro ou sobre o braço apoiado podem gerar pequenos desvios na articulação e desencadear dores mesmo sem um desequilíbrio muscular previamente instalado.

ImageMúsculos do Manguito Rotador (vistos de trás)

 Para se evitar esta lesão, é válida a inclusão de exercícios visando estabilidade do ombro no programa de treinamento ou no dia a dia. Geralmente estes exercícios são feitos com elásticos resistentes, mas podem ser feitos com outros equipamentos. Fale com um profissional para a prescrição correta destes exercícios. Caso já sinta dores, procure ajuda. Esta lesão, em fases mais crônicas, pode demandar inclusive intervenção cirúrgica. Porém, a abordagem inicial sempre deve ser com fisioterapia e utilização de medicamentos prescritos por um médico, se necessário.

O processo de fisioterapia muitas vezes pode ser um pouco demorado, mas muitas vezes é simples e efetivo. Cabe ao fisioterapeuta identificar a causa do problema, a estrutura que está gerando este desequilíbrio e corrigir esta falha. Utilizando terapia manual para reposicionamento de articulações em desvio, bandagens para corrigir posicionamentos e estimular determinadas musculaturas e exercícios de controle muscular, geralmente temos ótimos resultados.

Cuide-se. Esporte deve ser sinônimo de saúde, e não de dores.

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