Dor no ombro, solução na coluna.

Na última semana, recebi em meu consultório uma paciente com uma queixa bastante comum: dores no ombro ao levantar o braço. O diagnóstico clínico era uma “ruptura parcial do tendão supra-espinhoso”, conhecida tipicamente como síndrome do impacto (já falamos dela aqui antes). A paciente vinha fazendo seu tratamento fisioterapêutico em uma clínica, e vinha melhorando. Porém, a dor ainda se apresentava quando ela elevava o braço ao máximo, bem no final do movimento. Após cerca de 20 sessões de fisioterapia e essa estagnação, ela me procurou.

Ao verificar a sua ressonância magnética, era visível a ruptura parcial do tendão, assim como testes físicos indicaram o mesmo. De fato, ela existe. Porém, a sua dor não é típica de lesões do supra-espinhoso. Em algumas situações, ela ainda sente dores ao realizar força com o ombro, mas a simples elevação do ombro não era mais dolorida até chegar ao final. Ao perguntar a conduta fisioterapêutica que vinha sendo aplicada, era uma conduta correta. Porém, incompleta. Um detalhe importantíssimo vinha sendo negligenciado: a coluna vertebral.

Estudos recentes apontam uma importância cada vez maior da coluna torácica e cervical nas funções do ombro. De diversas maneiras, uma disfunção nessas regiões pode alterar muito o funcionamento do ombro.

Diversos músculos que trabalham para estabilizar a escápula e fazer com que ela se mova corretamente durante os movimentos do ombro, se originam em vértebras torácicas e cervicais. Se estas vértebras estão com sua mobilidade comprometida, provavelmente o músculos que nelas buscam seu ponto fixo para fazer força não conseguirão agir corretamente.

Outro fator importante é que os últimos graus do movimento de elevação do ombro, são, na verdade, realizados na coluna torácica, que se move e, através dos músculos que se inserem na escápula, puxam a mesma, aumentando a amplitude do movimento. Se estas vértebras não conseguem realizar esse movimento, o ombro tentará fazê-lo por conta própria, gerando dor. Além disso, pensem em uma pessoa muito corcunda. Se ela precisar elevar o seu braço a uma altura elevada, ela precisará que a sua coluna se endireite, ou ela não alcançará. É muito comum essas pessoas apresentarem dores no ombro, quando na verdade todo o seu problema está na coluna. Pessoas com desvios na coluna torácica apresentam irregularidades nas costelas. A escápula se move deslizando nas costelas, e, se estas estão desalinhadas, o movimento da escápula pode se tornar irregular.

Por último, temos que levar em consideração que os nervos que vão para o braço saem da coluna cervical. Alterações nessa região podem irritar e prender estes nervos, e manifestar dores no braço, inclusive no ombro, além de alterar o funcionamento dos músculos “comandados” por estes nervos.

E lembra daquela paciente do início do caso? Pois é. Ela apresentava uma rigidez na coluna torácica e um leve desvio na coluna cervical. Em duas sessões corrigindo isso, a dor dela melhorou consideravelmente.

O nosso corpo é uma grande rede. Nada é isolado a ponto de as articulações e estruturas vizinhas não terem interferência em suas funções.

Cuidem-se!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s