Tendinite: tem solução?

Não é raro vermos pessoas que sofrem por anos com dores frequentes por conta de tendinites, e que alegam não praticar certas atividades por conta disso. Seja no joelho, no punho, no tornozelo ou no ombro, a tendinite é um dos maiores inimigos do atleta.

Mas por que essa incidência tão alta de lesões? E é verdade que não tem jeito, que deve-se aprender a conviver com as dores por toda a vida?

Primeiramente, precisamos entender o que é um tendão. Quando contraímos um músculo, é necessário que haja algum meio de conexão entre este e o osso que desejamos mover. Esta conexão é o tendão, que funciona como uma espécie de cabo de força para realizar o movimento desejado.

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A tendinite ocorre quando, por razões diversas, este cabo de força passa a ficar irritado e dolorido. Existem diversos fatores que podem gerar estes sintomas. Da mesma forma, a lesão pode se apresentar de diversas formas. O termo tendinite significa “inflamação do tendão”. Porém, diversos estudos demonstram que nem sempre o que se vê é um quadro inflamatório, além de uma grande variação sobre em que parte específica do tendão o problema se encontra. Antes, se utilizavam diversos termos (tendinite, tendinose, tenossinovite, entre outros). Hoje em dia utiliza-se o termo tendinopatia, que é mais abrangente e engloba todas as pequenas variações da lesão.

Muitas vezes, a carga imposta por um músculo sobre o tendão é maior do que ele seria capaz de suportar. Isso frequentemente ocorre em tratamentos de lesões ou cirurgias do joelho, onde, com o objetivo de fortalecer e estabilizar a articulação, acaba-se forçando demais o tendão e gerando novas dores. Nestes casos, antes de iniciar um fortalecimento muscular intenso, seriam mais recomendados exercícios que pudessem fortalecer o tendão o suficiente para aguentar a carga que virá a seguir. Seguindo mais ou menos o mesmo funcionamento, indivíduos sem lesões prévias podem apresentar um desequilíbrio muscular, o que faz com que a força necessária para realizar certos movimentos seja maior do que o ideal, forçando o tendão além do seu limite.

Outro fator de risco é o excesso de treino e atividade. Os tendões são compostos basicamente de fibras de colágeno. Acontece que, após atividades físicas que incluam cargas ao tendão, mesmo moderadas, o nosso corpo tem um aumento na produção deste colágeno, o que seria bom para o tendão.Este aumento ocorre entre 24 e 72 horas após a atividade. Acontece que, ao mesmo tempo, nas primeiras 36 horas, a degradação deste mesmo colágeno também ocorre no nosso corpo, o que faz com que a balança seja negativa. Desta forma, ao estimularmos o mesmo tendão com novos esforços neste primeiro momento, estamos sujeitos a lesões. Isso, em parte, explica os famosos casos de LER (lesões por esforço repetitivo). Assim, o repouso é fundamental para a prevenção de lesões.

Além disso, alguns tendões não tem um trajeto “reto” entre o músculo e o osso onde se insere, passando por protuberâncias ósseas. Nestes casos, é muito comum que a causa das dores não seja uma sobrecarga no tendão, mas sim, o atrito gerado nestas superfícies. Nestes casos, é necessário que se verifique o alinhamento deste tendão durante o movimento, a fim de evitar este atrito indesejado. A síndrome do trato iliotibial e a epicondilite lateral são dois exemplos que frequentemente se encaixam neste caso.

A única hipótese de tendinopatias que não sejam causadas por fatores mecânicos é a presença de doenças metabólicas ou auto-imunes, como a Artrite Reumatóide, Lupus, entre outras. Nestes casos, é necessário um acompanhamento médico mais rigoroso, já que deve ser feito controle medicamentoso da doença de origem.

Dessa forma, podemos responder à pergunta feita no início.

Tendinopatia tem solução, sim!

Bandagem Neuromuscular

Durante as Olimpíadas 2012, todo mundo fica ligado nas transmissões de tudo o que é esporte, revezando nos canais entre vôlei e natação, basquete e ginástica artística, judô e futebol. Com certeza, você já reparou em alguns atletas competindo com fitas coloridas coladas ao corpo, e se perguntou: “mas o que é isso”?

Essas fitas são chamadas de bandagens neuromusculares, mais conhecidas pelo nome de sua marca mais famosa, Kinesio Taping. Trata-se de um tecido elástico e com uma face aderente, que fica em contato com o corpo do paciente. Foi criada nos anos 70 por um japonês chamado Kenzo Kase, e teve sua primeira aparição mundial nos jogos olímpicos de 1988.

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Bandagem aplicada ao Trato Iliotibial em praticante de corrida

Funciona da seguinte forma: ao colar a fita sobre determinado músculo ou região, conseguimos gerar um estímulo, através da pele, para que o corpo do paciente entenda o movimento correto a ser feito. Conseguimos estimular ou relaxar músculos e corrigir o eixo do movimento. Além disso, a bandagem melhora a estabilização articular (porém, sem limitar o movimento) e auxilia também na redução de edemas. Desta forma, mesmo que o paciente ainda apresente algum desequilíbrio ou alteração em seu gestual, ele poderá praticar suas atividades com pouca ou nenhuma dor.

Para isso, é necessário que se faça a aplicação da bandagem de maneira correta. O tamanho, o local, a direção da fita, o sentido em que ela é aplicada, a quantidade de tensão imposta no elástico, a posição corporal do paciente, tudo isso influencia no resultado final.

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Bandagem aplicada à panturrilha

A grande vantagem da bandagem neuromuscular é que, com ela, é possível manter o trabalho feito durante a sessão de fisioterapia em atividade 24 horas por dia, tornando o tratamento muito mais eficaz e permitindo ao paciente a prática de suas atividades. O paciente pode permanecer com ela por até 5 dias, mantendo atividades normais do dia a dia. Mas lembre-se: a bandagem, isoladamente, não é solução para nada, ela é apenas um recurso para auxiliar no tratamento. O profissional deve utilizá-la em conjunto com outros recursos que julgar necessário.

E nunca faça auto-aplicação da bandagem! Apenas profissionais capacitados devem utilizar esse recurso. Uma bandagem mal colocada pode ser prejudicial.

Cotovelo de tenista

A epicondilalgia lateral, mais conhecida como cotovelo de tenista, é uma das lesões mais freqüentes do braço.

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Trata-se de um processo doloroso que surge na parte lateral do cotovelo, na região da estrutura chamada de epicôndilo lateral. Deste exato ponto originam-se diversos músculos que farão a extensão do punho, principalmente. É comum pacientes relatarem dor ao fazer extensão do punho, ao apertar a mão de alguém, ao rodar o braço (como abrindo uma maçaneta ou girando uma chave) ou ao carregar algum peso.

O termo “cotovelo de tenista” surgiu devido ao grande número de praticantes desta atividade que apresentavam esta lesão, devido ao mau uso do backhand (movimento demonstrado na figura abaixo). Nestes atletas, alguns fatores devem ser levados em consideração. A técnica utilizada para o backhand pode estar errada, o tamanho da empunhadura da raquete pode não estar adequado, além de outros detalhes. Porém, esta lesão também é bastante freqüente em indivíduos que não praticam tênis. Outros “grupos” suscetíveis são musicistas, mecânicos, pessoas que trabalhem muito tempo no computador e indivíduos que dirijam motos, dentre outros.

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Deve-se ter atenção aos fatores externos, como ferramentas ou posicionamento de trabalho, porém, o principal a ser observado, são os fatores corporais.

Por esta região passam diversas estruturas do nosso corpo. Ossos, ligamentos, músculos, tendões, nervos. Todos eles podem ter envolvimento nesta lesão, alguns com mais freqüência do que outros. Dificilmente uma única estrutura será a causa do problema. Além disso, fatores corporais fora do cotovelo podem influenciar também. Alterações no punho, no ombro e até na cervical podem desencadear uma epicondilalgia lateral. Cabe ao profissional identificar as estruturas que estão gerando esta dor para achar a melhor maneira de solucionar o problema.

As causas mais freqüentes são: desequilíbrio muscular dos extensores do punho (podem estar muito fracos, muito rígidos, pouco alongados) que gera uma sobrecarga e conseqüente lesão no tendão destes músculos, e um pequeno desajuste da articulação entre o rádio e o úmero (dois dos ossos que formam a articulação do cotovelo).

Muitas vezes o indivíduo sente essa dor por meses, se privando de suas atividades. Algumas vezes, o indivíduo passa por uma cirurgia para reparar um possível tendão danificado. No entanto, se bem tratada e com os cuidados necessários, esta é uma lesão que pode ser solucionada de maneira muito rápida e eficaz. Em muitos casos, com apenas uma ou duas correções na região, o indivíduo já está sem dor. Eu já vi pacientes que relatavam dor há dois meses e, com uma única sessão, nunca mais sentiram nada.

Ao primeiro sinal de dor na região, procure um profissional. É melhor solucionar rapidamente enquanto ainda é algo simples do que esperar piorar e se tornar um problema ainda maior.

E, como prevenir é sempre melhor do que remediar, lembre-se sempre de, antes de iniciar qualquer atividade física, aquecer as articulações e músculos. Isso diminui bastante o risco de lesões e problemas. Pausas para descanso também ajudam a reduzir as chances de lesão.

Cuidem-se!