Síndrome Patelo-Femoral

É frequente vermos corredores e outros atleta com dores na região anterior do joelho, exatamente no local da patela (antigamente chamada de rótula) durante suas corridas ou após longos períodos com o joelho dobrado. Trata-se da síndrome patelo-femoral.

Para entender melhor a razão destas dores, temos que entender como funciona a patela. Este é um osso localizado na parte anterior do joelho, “apoiado” no fêmur e preso a esse mesmo osso e à tíbia. Ligamentos prendem seus lados ao fêmur (principalmente), enquanto a parte de baixo é fixada à tíbia através do tendão patelar (aquele do teste do martelinho) e a parte de cima é estabilizada pelo quadríceps (músculo da coxa). Estas são as “âncoras” que esse osso utiliza para se manter no local correto enquanto desliza pelo fêmur durante o movimento. Quando esticamos o joelho, a patela desliza para cima, e quando dobramos, ela desliza para baixo. Além disso, a pressão gerada na articulação aumenta conforme se dobra o joelho (devido ao tensionamento do quadríceps, que se alonga e comprime a articulação). Quando fazemos flexão do joelho com contração do quadríceps (como quando corremos, agachamos ou usamos escadas) esta pressão atinge os seus mais altos níveis.Image
O que acontece na síndrome patelo-femoral é que, por razões diversas, essas quatro forças estabilizadoras entram em desequilíbrio, retirando a patela do seu trilho natural e aumentando o atrito e pressão na articulação. Assim em situações onde a pressão já seria naturalmente aumentada, as dores surgem.

Disse em outro post e repito: o joelho é uma das articulações mais complexas do nosso corpo. Existem diversos fatores que podem influenciar neste desequilíbrio. Alguns, relacionados diretamente às estruturas já citadas. Outros, relacionados a outras estruturas do joelho e até e outras articulações. Aliás, o grande vilão na síndrome patelo-femoral não se encontra no joelho, e sim, no quadril.

Existe um músculo chamado glúteo médio. Ele é o principal responsável por impedir que a nossa coxa realize uma adução excessiva ao ficarmos em um pé só (impede que ela se feche demais). Logo, quando este músculo está fraco/desequilibrado e não desempenha esta função direito, a gravidade faz com que a angulação do quadril durante a pisada seja maior e, por consequência, a do joelho também. Dessa forma, a patela é tracionada para o lado (como na figura abaixo), alterando a sua superfície de contato com o fêmur e gerando dores. Uma das razões pelo qual esta lesão é mais frequente em mulheres do que em homens é a largura da pelve, maior no sexo feminino, acentuando ainda mais esses ângulos. Do mesmo modo, bailarinos, que tendem a forçar a chamada “perna em x”, tem grande tendência a desenvolver esta lesão.

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Outro fator importante é o desequilibrio entre a parte lateral e a parte medial do quadríceps. Frequentemente a parte medial é levemente menos ativa do que a parte lateral, fazendo com que a contração muscular puxe a patela um pouco mais para o lado.

Estes dois são os fatores mais frequentes, mas existem diversos outros: alterações na musculatura da parte de dentro da coxa (adutores), tensão excessiva do trato iliotibial (veja o post “síndrome do trato iliotibial” para entender o que é) e alterações na pisada durante a corrida sao alguns exemplos.

Muitos pacientes se queixam destas dores por anos, e muitos chegam a fazer intervenção cirúrgica. Porém, a causa desta lesão é um desequilíbrio muscular e articular. A única solução para este desequilíbrio é fisioterapia e atividade física com acompanhamento correto. O máximo que a cirurgia pode fazer nestes casos é corrigir falhas de cartilagem e ligamentares.

Um esclarecimento: muitos podem já ter ouvido falar dessa lesão como “condromalácia patelar”. A condromalácia é uma síndrome patelo-femoral onde ocorre dano de cartilagem. Muitos casos diagnosticados como condromalácia, na verdade, são apenas síndromes patelo-femorais, sem real dano à cartilagem.

E para finalizar, vamos apenas esclarecer um grande mito: costumo ouvir muitas pessoas falarem que sofrem de determinada lesão “por conta do excesso de peso”, “por conta da idade” ou “por causa da minha postura”. Se qualquer um desses fatores fosse ABSOLUTAMENTE determinante para se ter uma lesão, TODOS os obesos, idosos ou pessoas com alteração postural sofreriam com as mesmas dores, o que não ocorre. É claro que estes fatores influenciam, mas NÃO SÃO A CAUSA. Se mesmo com tudo isso, o desequilíbrio MECÂNICO for solucionado, as dores certamente melhorarão.

Então, já sabe: começou a sentir dores, procure ajuda profissional.

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Entorse de tornozelo

Todo mundo conhece alguém que “tem o tornozelo frouxo”, já “torceu” o pé inúmeras vezes e, toda vez que vai praticar alguma atividade física, fica usando uma tornozeleira, certo? Mas, por que isso acontece?

Primeiramente, vamos explicar o que é uma entorse de tornozelo. Uma entorse é uma lesão articular, na qual as superfícies desta perdem o contato e retornam à posição inicial. Ou seja, a articulação “sai do lugar” e volta. A diferença entre uma entorse e uma luxação, é que na luxação a articulação “sai do lugar” e não retorna. Logo, no caso do tornozelo, é exatamente isso. Por algum tombo, pisada errada ou qualquer acidente do gênero, o tornozelo se desloca e volta para o mesmo lugar. A entorse por inversão (pé para dentro) é o mais comum, no entanto a entorse também pode ser por eversão (pé para fora). É a lesão mais freqüente no meio esportivo, além de acometer bastante mulheres que usam salto alto ou apenas pessoas que andem em solos irregulares.

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“Ah, mas se ele volta para o mesmo lugar, por que fica doendo”?

O problema é que, quando o tornozelo sai do lugar, os ligamentos que estão ali justamente para mantê-lo estável, são forçados além do limite e sofrem danos. Estes danos podem variar desde um pequeno estiramento de suas fibras (na maioria das vezes) até um rompimento completo. É isso que gera a dor, o edema e todo o problema que vem após o acidente. Em alguns casos é necessária inclusive a intervenção cirúrgica para reconstruir um ligamento totalmente rompido.

Qualquer pessoa, assim que sofre uma entorse, já sabe o que fazer. Pé pro alto, gelo e anti-inflamatório. No máximo, faz um raio-x (o que é importante, já que algumas vezes podem haver fraturas associadas) e 15 dias de bota ortopédica. E aí, não é raro ver aquela pessoa que teve o acidente em um dia, e três meses depois ainda sente o pé doer, inchar um pouco, falsear aqui ou ali.

Isso ocorre porque, ao gerar esta lesão nos ligamentos, seja de que grau for, inevitavelmente, a função do seu tornozelo será alterada. Primeiro porque os ligamentos tem a função de estabilizar a sua articulação, e se um deles está lesionado, não irá desempenhar este papel corretamente. Mesmo que não haja rompimento ligamentar, após o período de imobilização, até os ligamentos e músculos íntegros perdem parcialmente o seu “reflexo de proteção”, aquilo que faz com que você não sofra uma entorse a cada buraco que pisar. Além disso, é muito comum que a articulação volte ao seu lugar inicial, porém com pequenos graus de desajuste, o que altera completamente a mecânica dos movimentos, gerando dor. Com todos estes fatores em ação, este sujeito está predisposto a novas e repetitivas lesões no mesmo local.

Assim, após uma entorse, seja de que grau for, é necessário um trabalho de reabilitação. Alguns dos recursos que utilizamos são terapias manuais para reajuste e reeducação das articulações, bandagens para conter movimentos excessivos ou manter estes ajustes, treinos de equilíbrio e funcionais, estimulando a articulação a voltar à sua função natural.

Então, já sabe. Sofreu uma entorse, procure um profissional para te ajudar e evitar futuros problemas!

Bandagem Neuromuscular

Durante as Olimpíadas 2012, todo mundo fica ligado nas transmissões de tudo o que é esporte, revezando nos canais entre vôlei e natação, basquete e ginástica artística, judô e futebol. Com certeza, você já reparou em alguns atletas competindo com fitas coloridas coladas ao corpo, e se perguntou: “mas o que é isso”?

Essas fitas são chamadas de bandagens neuromusculares, mais conhecidas pelo nome de sua marca mais famosa, Kinesio Taping. Trata-se de um tecido elástico e com uma face aderente, que fica em contato com o corpo do paciente. Foi criada nos anos 70 por um japonês chamado Kenzo Kase, e teve sua primeira aparição mundial nos jogos olímpicos de 1988.

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Bandagem aplicada ao Trato Iliotibial em praticante de corrida

Funciona da seguinte forma: ao colar a fita sobre determinado músculo ou região, conseguimos gerar um estímulo, através da pele, para que o corpo do paciente entenda o movimento correto a ser feito. Conseguimos estimular ou relaxar músculos e corrigir o eixo do movimento. Além disso, a bandagem melhora a estabilização articular (porém, sem limitar o movimento) e auxilia também na redução de edemas. Desta forma, mesmo que o paciente ainda apresente algum desequilíbrio ou alteração em seu gestual, ele poderá praticar suas atividades com pouca ou nenhuma dor.

Para isso, é necessário que se faça a aplicação da bandagem de maneira correta. O tamanho, o local, a direção da fita, o sentido em que ela é aplicada, a quantidade de tensão imposta no elástico, a posição corporal do paciente, tudo isso influencia no resultado final.

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Bandagem aplicada à panturrilha

A grande vantagem da bandagem neuromuscular é que, com ela, é possível manter o trabalho feito durante a sessão de fisioterapia em atividade 24 horas por dia, tornando o tratamento muito mais eficaz e permitindo ao paciente a prática de suas atividades. O paciente pode permanecer com ela por até 5 dias, mantendo atividades normais do dia a dia. Mas lembre-se: a bandagem, isoladamente, não é solução para nada, ela é apenas um recurso para auxiliar no tratamento. O profissional deve utilizá-la em conjunto com outros recursos que julgar necessário.

E nunca faça auto-aplicação da bandagem! Apenas profissionais capacitados devem utilizar esse recurso. Uma bandagem mal colocada pode ser prejudicial.

Ombro doloroso

O ombro é uma das articulações mais complexas do corpo humano. É a que possui maior amplitude de movimentos, mas é uma das que possui menos estabilidade (a maior parte desta estabilidade é feita por músculos). É um complexo composto por 4 articulações que trabalham em conjunto para produzir os movimentos necessários. São as articulações entre o úmero e a escápula, entre a escápula e a clavícula, entre a clavícula e o esterno, e entre a escápula e a caixa torácica. Se levarmos em consideração que, através de músculos, estes ossos tem conexões com vértebras, costelas, cotovelo, cabeça e até com a pelve, podemos ver o quão “complicada” é esta região. Cada estrutura destas tem o seu grau de mobilidade e atuação para que o ombro possa realizar todos os seus movimentos de maneira correta.

A lesão mais freqüente no ombro é a síndrome do impacto, mais conhecida como ombro doloroso. Ocorre quando o espaço existente entre o úmero (osso do braço) e a ponta da escápula (chamada de acrômio) diminui, gerando compressão das estruturas que alí estão. As queixas mais freqüentes são dores na região anterior do ombro ao levantar o braço, ao levantar pesos, dificuldade em colocar a mão nas costas (no caso de mulheres, uma queixa freqüente é a dificuldade em fechar o sutiã) e uma dor que aumenta na hora de dormir.

ImageTendão e bursa comprimidos entre o úmero e o acrômio

 É uma lesão freqüente em praticantes de atividades que exijam movimentos com o braço elevado, como vôlei, basquete, natação e tênis. Do mesmo modo, pessoas que tenham trabalhos nos quais façam movimentos repetitivos do braço também estão suscetíveis a esta lesão. Recentemente vi uma grande incidência em percussionistas, sendo que em todos os casos, as dores se manifestavam no membro dominante, o mesmo no qual os instrumentos musicais eram pendurados durante a prática. Em indivíduos acima de 60 anos, muitas vezes estas dores surgem sem nenhuma atividade específica.

Mas o que exatamente gera esta dor?

Existem dois fatores que levam a esta dor. Com a diminuição do espaço, os tendões que deveriam poder deslizar livremente durante a contração muscular, perdem esta liberdade, gerando atrito. Isso pode levar estes tendões a processos inflamatórios e até degenerativos. A bursa subacromial (que nada mais é do que uma bolsa com líquido que amortece esse impacto) se inflama devido ao excesso de pressão, gerando a famosa bursite.

Além disso, esta compressão faz com que o aporte sanguíneo na região diminua, favorecendo assim degenerações. É comum encontrarmos sinais de artrose na articulação entre a clavícula e a escápula (que se dá através do acrômio) devido a esta falta de vascularização. Tendões também são afetados por esta falta de irrigação sanguínea, aumentando a dor.

A causa mais freqüente desta síndrome é um desequilíbrio da musculatura do complexo articular do ombro, principalmente o manguito rotador (grupo de músculos responsável pela estabilização do úmero na escápula e pelos movimentos de rotação, principalmente) e os estabilizadores da escápula (grupo de músculos que prende a escápula na caixa torácica e auxilia em seus movimentos giratórios necessários para a movimentação do ombro). Outros fatores, como rigidez em determinadas articulações específicas, alterações do cotovelo e da coluna vertebral também podem influenciar. Pequenos acidentes, como tombos sobre o ombro ou sobre o braço apoiado podem gerar pequenos desvios na articulação e desencadear dores mesmo sem um desequilíbrio muscular previamente instalado.

ImageMúsculos do Manguito Rotador (vistos de trás)

 Para se evitar esta lesão, é válida a inclusão de exercícios visando estabilidade do ombro no programa de treinamento ou no dia a dia. Geralmente estes exercícios são feitos com elásticos resistentes, mas podem ser feitos com outros equipamentos. Fale com um profissional para a prescrição correta destes exercícios. Caso já sinta dores, procure ajuda. Esta lesão, em fases mais crônicas, pode demandar inclusive intervenção cirúrgica. Porém, a abordagem inicial sempre deve ser com fisioterapia e utilização de medicamentos prescritos por um médico, se necessário.

O processo de fisioterapia muitas vezes pode ser um pouco demorado, mas muitas vezes é simples e efetivo. Cabe ao fisioterapeuta identificar a causa do problema, a estrutura que está gerando este desequilíbrio e corrigir esta falha. Utilizando terapia manual para reposicionamento de articulações em desvio, bandagens para corrigir posicionamentos e estimular determinadas musculaturas e exercícios de controle muscular, geralmente temos ótimos resultados.

Cuide-se. Esporte deve ser sinônimo de saúde, e não de dores.

Alongar ou não?

Hoje, vou falar um pouco sobre um tema bastante discutido e polêmico em atividade física e prevenção de lesões: alongamentos.

Todos já ouviram alguma vez o conselho: “antes de praticar atividade física, alongue-se bastante”, ou “alongue após as atividades para relaxar a musculatura”.

Nenhum dos dois conselhos está totalmente certo, nem totalmente errado. Na verdade, tudo que existe sobre alongamento, cientificamente falando, são evidências, mas poucas provas concretas.

Em longo prazo, o alongamento auxilia no ganho de amplitude de movimento e pode inclusive influenciar no ganho de massa muscular. Isto torna o alongamento uma atividade indispensável para qualquer atleta, seja ele profissional ou amador. A questão é: quando alongar?

Alguns estudos indicam que, exatamente após a realização de um alongamento intenso, existe perda de força muscular. Isso significa que, se você vai para a academia e, antes de malhar, alonga intensamente o bíceps, na hora de realizar exercícios com esse músculo, ele terá menos força. No entanto, não se sabe exatamente o quanto este alongamento imediatamente anterior à atividade auxilia de fato na prevenção de lesões. Da mesma forma, alongamentos pós-exercícios apresentam fatores bons e ruins. Ajudam a restaurar o músculo ao seu estado normal, mas podem gerar pequenas lesões, por exemplo.

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“Ah, mas então alongar não previne lesões”?

Não, também não é isso. Um trabalho de alongamento pode sim ajudar a prevenir muitas lesões, principalmente musculares. Porém, isso só pode ser afirmado quando falamos de um trabalho feito a longo prazo! Um treinamento em momento separado da atividade principal, sem fadiga muscular e com o foco no alongamento ou, como no Pilates, trabalhando em paralelo alongamento e controle muscular,  pode, sem dúvidas, melhorar muito sua performance e evitar complicações.

Eu não gosto de prescrever e nem praticar alongamentos antes ou depois de atividade física, por acreditar que é mais um stress sobre um músculo já bastante exigido. No máximo um alongamento extremamente suave, apenas para estimular a circulação e a percepção muscular, em associação com um breve aquecimento (antes da atividade) e resfriamento (após), como uma caminhada se for correr, algumas repetições com pouco peso se for malhar, ou qualquer outra forma de dizer ao seu corpo a hora de trabalhar e a hora de descansar.

E lembrem-se: não façam auto-prescrição de exercícios! Procure um profissional capacitado para te dar auxílio e indicar a melhor forma de praticar seu esporte preferido!

Cotovelo de tenista

A epicondilalgia lateral, mais conhecida como cotovelo de tenista, é uma das lesões mais freqüentes do braço.

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Trata-se de um processo doloroso que surge na parte lateral do cotovelo, na região da estrutura chamada de epicôndilo lateral. Deste exato ponto originam-se diversos músculos que farão a extensão do punho, principalmente. É comum pacientes relatarem dor ao fazer extensão do punho, ao apertar a mão de alguém, ao rodar o braço (como abrindo uma maçaneta ou girando uma chave) ou ao carregar algum peso.

O termo “cotovelo de tenista” surgiu devido ao grande número de praticantes desta atividade que apresentavam esta lesão, devido ao mau uso do backhand (movimento demonstrado na figura abaixo). Nestes atletas, alguns fatores devem ser levados em consideração. A técnica utilizada para o backhand pode estar errada, o tamanho da empunhadura da raquete pode não estar adequado, além de outros detalhes. Porém, esta lesão também é bastante freqüente em indivíduos que não praticam tênis. Outros “grupos” suscetíveis são musicistas, mecânicos, pessoas que trabalhem muito tempo no computador e indivíduos que dirijam motos, dentre outros.

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Deve-se ter atenção aos fatores externos, como ferramentas ou posicionamento de trabalho, porém, o principal a ser observado, são os fatores corporais.

Por esta região passam diversas estruturas do nosso corpo. Ossos, ligamentos, músculos, tendões, nervos. Todos eles podem ter envolvimento nesta lesão, alguns com mais freqüência do que outros. Dificilmente uma única estrutura será a causa do problema. Além disso, fatores corporais fora do cotovelo podem influenciar também. Alterações no punho, no ombro e até na cervical podem desencadear uma epicondilalgia lateral. Cabe ao profissional identificar as estruturas que estão gerando esta dor para achar a melhor maneira de solucionar o problema.

As causas mais freqüentes são: desequilíbrio muscular dos extensores do punho (podem estar muito fracos, muito rígidos, pouco alongados) que gera uma sobrecarga e conseqüente lesão no tendão destes músculos, e um pequeno desajuste da articulação entre o rádio e o úmero (dois dos ossos que formam a articulação do cotovelo).

Muitas vezes o indivíduo sente essa dor por meses, se privando de suas atividades. Algumas vezes, o indivíduo passa por uma cirurgia para reparar um possível tendão danificado. No entanto, se bem tratada e com os cuidados necessários, esta é uma lesão que pode ser solucionada de maneira muito rápida e eficaz. Em muitos casos, com apenas uma ou duas correções na região, o indivíduo já está sem dor. Eu já vi pacientes que relatavam dor há dois meses e, com uma única sessão, nunca mais sentiram nada.

Ao primeiro sinal de dor na região, procure um profissional. É melhor solucionar rapidamente enquanto ainda é algo simples do que esperar piorar e se tornar um problema ainda maior.

E, como prevenir é sempre melhor do que remediar, lembre-se sempre de, antes de iniciar qualquer atividade física, aquecer as articulações e músculos. Isso diminui bastante o risco de lesões e problemas. Pausas para descanso também ajudam a reduzir as chances de lesão.

Cuidem-se!

Síndrome do Trato Iliotibial

Neste domingo, 08 de julho, ocorre no Rio de Janeiro a Maratona do Rio. São provas envolvendo milhares de corredores, tanto profissionais quanto amadores.

Com isso, para inaugurar esse blog, decidi falar de uma das lesões mais freqüentes em praticantes de corrida: a síndrome do trato iliotibial.

Esta síndrome se caracteriza por uma dor lateral no joelho, acima da articulação. Frequentemente surge após mudanças bruscas de intensidade nos treinos, alteração de inclinação ou mesmo de calçado.

O trato iliotibial é um tecido conjuntivo que conecta alguns músculos do quadril à porção lateral do joelho, tendo assim papel fundamental na mecânica dessa articulação (demonstrado na figura abaixo).

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As dores (geralmente presentes mais próximas ao joelho) podem ser influenciadas por diversos fatores. Fraqueza da musculatura glútea, posicionamentos errados do pé, excesso de flexão do joelho no momento de contato com o chão (durante a corrida) e rotação da perna também são citados na literatura. Porém, o grau de importância de cada um destes fatores ainda é desconhecido.

Na prática, o que nota-se é que todos estes fatores podem estar envolvidos. Cabe ao profissional identificar a fonte do problema para poder trazer o melhor resultado ao seu paciente.

Se tratada no início, a síndrome do trato iliotibial pode ser resolvida de maneira eficaz e rápida. Diversos recursos de terapia manual, mobilizações e bandagens ajudam a recuperar o indivíduo à sua atividade rapidamente.

Não espere que a dor te atrapalhe. Procure ajuda profissional.

Aos que participarão da prova, boa corrida! Alimentem-se bem, tenham uma boa noite de sono e façam uma boa prova!

João Alvarez